Corujas e morcegos

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A Lei do Mocinho



O homem mandou matar
um outro homem.
O homem é o mocinho,
o outro é o bandido.
O homem é um monte
de homens armados,
o outro é o monte de
homens que, supõe-se,
teria mandado matar.
Por isso está armado,
ainda que não esteja
armado: sua arma é
sua alma desalmada.

Almas desalmadas,
reza a Constituição,
não têm direitos.
Nem de ser presas
e julgadas, nem de
ter seus restos físicos
sepultados pelos seus.
 Almas desalmadas
não carecem de tumba:
seus corpos devem ser
drasticamente lacrados
mesmo antes de morrer,
como reza a Constituição
dos bons, do mocinho.
 .

14 comentários:

  1. O poema, como sempre, diz tudo e algo mais.

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  2. Pobre mundo onde um homem tem o poder de decidir o que é e o que não é bom para os demais, o poder de eliminar um suspeito de crimes hediondos utilizando as mesmas práticas hediondas.

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  3. É tudo tão sórdido e kafkiano nessa história toda, Wilden, que o "grande terrorista" desaparece sem nunca ter aparecido de fato, sem deixar dúvida quanto a sua existência. Bjs

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  4. Bonita a forma como amarrou os versos, como um artesão habilidoso.

    Abç

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  5. Esperemos a versão de Hollywood...
    Adoro você no meu cantinho.

    Brindemos!
    bjs

    rossana

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  6. Tecendo as palavras com fio de ouro.

    Beijos

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  7. Grande verdade Wilden.

    Mas te juro: Que eu to amando ver o Bin Laden queimando no inferno, eu to.

    Ao diabo, o que é do diabo!

    Um beijo!

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  8. O poder tem DESALMA onipresente...

    Beijos

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  9. A assombração que virou fantasma ou pode ser o contrário.
    Bj grande Wil e fds bem bacana

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  10. Tão bela essa forma que segura os versos.
    É um encanto seu espaço, me encontro nas suas palavras.

    Um grande beijo.

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  11. Muito bom! Crítico e fiel aos fatos!
    Beijão, lindeza de menino lindo!

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  12. Da briga entre o errado e o errado,
    o desfecho absurdo do enredo equivocado
    foi aqui perfeitamente explicado!

    Um abraço.

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