Corujas e morcegos

domingo, 3 de abril de 2011

Não me diga o que vê


. . . . . . . . . . . . . . Eis meu rosto, meus traços
. . . . . . . . . . . . . . vedados ao meu próprio olhar;
. . . . . . . . . . . . . . meu estar em mim, tão-somente
. . . . . . . . . . . . . . diante do espelho do olhar alheio,
. . . . . . . . . . . . . . meu estar perdido na escuridão
. . . . . . . . . . . . . . que não semeei; minha sorte
. . . . . . . . . . . . . . de condenado a esta vida tosca,
. . . . . . . . . . . . . . planejada e erigida por um deus
. . . . . . . . . . . . . . de pedra, uivos e esquecimento,
. . . . . . . . . . . . . . ébrio sátiro que habita e consome
. . . . . . . . . . . . . . a consciência que me imputou
. . . . . . . . . . . . . . como asas que não voam, como
. . . . . . . . . . . . . . caminhos que não terão rastros.
 .

9 comentários:

  1. até parece um carranca...

    beijo, wil!

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  2. como passos suspensos, hiato, vácuo



    abraço

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  3. - como saber de ti
    se nem de mim eu sei...
    - se te decifro te devoro,
    almejando desvelar o enigma que sou...
    - como tu, congestiono-me de interrogações e pavores
    diante da escuridão...
    e dos espelhos que se quebram...
    frágeis
    assim como eu...

    ***
    Intenso, Wilden! Bjs

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  4. Bacana. Bacana também a imagem feita com rolo de papel ... Imitando mini estátuas dos homenzinhos de Páscoa.
    Peinha
    PS: Engraçado... Pensei que já o estivesse seguindo!!!???

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  5. ébrio sátiro que habita e consome! Parece com a cara-gravata que ilustra o poema heheh!

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  6. Vou ter que dizer... poesia, poesia, poesia!
    Gosto mt.
    Bjão, Wil e semana boa

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  7. Caminhos sem rastros é muito...solitário e triste
    Estou no seu rastro.
    Boa semana Wilden!
    Bjk

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  8. Conheço bem este seu deus de pedra, uivos e esquecimento, Wil. Já me mordeu a perna mais do que o suficiente, o filho da mãe!

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  9. É um poema cheio de ritmo; nele a oralidade se afirma: é para ser lido alto! É íntimo, e pleno da consciência do impoderável, do sem jeito, do sem conserto,do desconcerto do mundo camoniano, do sem caminho. Coisa de gente! Bem trabalhado na antítese visual do claro/escuro, no mistério; bem inspirado, Poeta! (Sua visita é sempre uma bela ocasião para ser feliz.) Beijos!

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