Corujas e morcegos

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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Cão



O cão que late e vigia o destino do cão
O osso do cão que rói suas próprias presas
A sarna, as pulgas que lhe infernizam a vida

O medo, o medo infinito que rosna e ataca
desde sempre e por toda a eternidade:
a do cão sem dono ou a do dono cão
.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Deus



Para Aline Chaves . .

Eu vou ali
mas volto 
Vou ali mas
volto acolá

Sou sempre
sempre sim
sempre não

Deus que sou
e não sou de
mim em mim

\ô/

A ilustração é do artista plástico e designer Hélio Jesuíno (aqui).


domingo, 3 de abril de 2011

Não me diga o que vê


. . . . . . . . . . . . . . Eis meu rosto, meus traços
. . . . . . . . . . . . . . vedados ao meu próprio olhar;
. . . . . . . . . . . . . . meu estar em mim, tão-somente
. . . . . . . . . . . . . . diante do espelho do olhar alheio,
. . . . . . . . . . . . . . meu estar perdido na escuridão
. . . . . . . . . . . . . . que não semeei; minha sorte
. . . . . . . . . . . . . . de condenado a esta vida tosca,
. . . . . . . . . . . . . . planejada e erigida por um deus
. . . . . . . . . . . . . . de pedra, uivos e esquecimento,
. . . . . . . . . . . . . . ébrio sátiro que habita e consome
. . . . . . . . . . . . . . a consciência que me imputou
. . . . . . . . . . . . . . como asas que não voam, como
. . . . . . . . . . . . . . caminhos que não terão rastros.
 .